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Os jovens e a crise no mercado de trabalho

No século 21, o contingente de jovens é o maior que o Brasil já teve e terá, segundo as projeções de especialistas. Resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua-2019), realizada pelo IBGE, indicou que há 47,3 milhões de brasileiros com 15 a 29 anos. No entanto, é entre eles que as desigualdades de renda aumentaram nos últimos cinco anos, fase marcada pela profunda crise econômica. 

Preparar os jovens para o mercado profissional é um dos focos de atuação da United Way Brasil. O cenário é preocupante e exige atenção de todos nós.

O estudo “Juventude e Trabalho: Qual foi o Impacto da Crise na Renda dos Jovens? E nos Nem-Nem?”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (2019), mostra que, enquanto outros públicos tradicionalmente excluídos (analfabetos, negros e moradores do Norte e Nordeste) sofreram perda de renda duas vezes maior que a média geral, na juventude o problema é mais grave. Para cidadãos de 20 a 24 anos, esse dano é 5 vezes maior que a média brasileira. Entre os jovens adolescentes, a perda é 7 vezes maior que a média. 

Os fatores que influenciaram esse quadro entre os jovens são o aumento de desemprego, a redução de jornada de trabalho e a queda do salário por hora/ano de estudo. 

Há ainda 26,2% que não trabalham, nem estudam. Segundo o IBGE (Pnad Contínua-2019), boa parte desses jovens tende a desenvolver outras atividades, como cuidar dos afazeres domésticos e de familiares. Os índices entre gêneros revelam mais um grande degrau de exclusão e desigualdade: 24,2% das mulheres desse grupo não frequentam a escola ou outro curso porque têm de se dedicar aos serviços de casa. Entre os homens jovens, esse problema atinge apenas 0,7%.

Ao pensar que a força jovem produtiva está em crise, e que ela é o capital humano do país, refletir sobre ações e iniciativas que possam mudar esse cenário é uma urgência social.

A realidade na cidade de São Paulo

Com o 10º Produto Interno Bruto (PIB) maior do mundo, o principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América Latina abriga uma população de 12 milhões de habitantes, sendo 3 milhões (um quarto do total) composto por jovens de 15 a 24 anos (Seade-2013).

Na metrópole, no biênio 2017-2018 (Seade), 13,6% de jovens estudavam e estavam desocupados, 7,2% não estudavam, nem trabalhavam, nem cuidavam dos afazeres domésticos; e 1,1% só se dedicava ao trabalho doméstico.

 

Dividida em 96 distritos, a cidade de São Paulo possui diferentes abordagens de institutos e organizações que mapeiam, por meio de estudos e pesquisas, a realidade dos jovens nos seus diferentes territórios, ou seja, há dados e ferramentas que podem indicar onde problemas como desemprego e vulnerabilidade, por exemplo, são mais ou são menos agudos. Ao mesmo tempo, também possui informações que apontam oportunidades econômicas e de empreendedorismo, negócios sociais e inclusão produtiva.

 

Com tanta riqueza de dados, é possível se pensar em iniciativas para trabalhar com diagnósticos, embasar estratégias, monitorar, avaliar, aumentando as chances de sucesso de ações que visem oferecer condições de empregabilidade aos jovens da cidade, especialmente os que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Paralelamente a isso, cada vez mais as empresas têm se dedicado a entender a realidade da juventude paulistana com o objetivo de criar caminhos para prepará-la ao competitivo mundo do trabalho.

 

 

Eixos de atuação e empregabilidade dos jovens

 

Mas por onde começar? Esta pergunta tem algumas respostas no Plano Nacional de Trabalho Decente para Juventude, criado em 2012. O plano indicou quatro eixos estruturantes na elaboração das ações focadas nos jovens.

 

O primeiro aponta a necessidade de mais e melhor educação. O currículo para o Ensino Médio passou por reformulações. Resta agora o desafio de levar a teoria para a sala de aula, com práticas que não só atraiam os jovens para que permaneçam na escola, como também ofereçam conhecimentos que os preparem, de fato, para a vida. 

 

O segundo eixo é a conciliação entre estudos, trabalho e vida pessoal, um aspecto que necessita de um olhar cuidadoso em uma metrópole como São Paulo, onde as desigualdades sociais e econômicas convivem lado a lado. Criar ações que atendam diferentes realidades é, sem dúvida, um desafio que precisa ser enfrentado.

 

O terceiro eixo fala da inserção ativa e digna no mundo do trabalho com igualdade de oportunidades e tratamento, aspecto que exige muita reflexão, especialmente quando nos deparamos com a informalidade como saída para sobreviver à presente crise econômica.

 

Por fim, o quarto eixo aponta a importância do diálogo social. Na cidade (e em muitos pontos do país), não temos um fórum que discuta o tema com os diversos atores responsáveis pela geração de oportunidades econômicas. Para começar, muitos deles nem se reconhecem como tal. Falta um plano articulado e estratégico que una os diferentes atores para que, juntos, possamos pensar em soluções de inclusão produtiva dos jovens mais vulneráveis, na capital do Estado.

 

A United Way Brasil, que atua com juventude e trabalho, por meio do programa Competências para a Vida, convida mais empresas e organizações a abraçar o desafio de criar novas oportunidades aos jovens, preparando, também, o caminho para crianças que, muito em breve, estarão nessa etapa da vida. Então, vamos juntos?