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O papel da indiferença nas desigualdades sociais

“Como cidadãos organizados, temos de olhar para a nossa consciência e dizer: esta maneira de ser – e digo a maneira de ser indiferente –, de estar indiferente ao sofrimento do outro (...) é contra o reconhecimento de que todas as pessoas nascem iguais e têm os mesmos direitos, nem mais e nem menos direitos.”

Graça Machel, moçambicana, ativista negra e protagonista da independência de Moçambique e do Apartheid

 

Graça Machel aceitou o convite da United Way Brasil para participar da live internacional “Desigualdades e pandemia”, realizada em duas etapas, nos dias 23 de junho e 2 de julho, com o apoio da Lear Corporation e P&G.

Como defensora dos direitos humanos, Graça demonstra claramente sua indignação frente às desigualdades sociais que presencia no mundo, especialmente no seu país. Ela chama nossa atenção sobre a postura conformista com que tendemos a olhar para situações que achamos não nos afetar, como a pobreza, a falta de oportunidades para negros, índios, as negligências contra crianças e adolescentes de territórios vulneráveis, dentre outras. A ativista aponta, claramente, como essa postura distante nos impede de ver o quanto as desigualdades atingem a todos nós, mesmo que achemos o contrário. 

As tantas formas de violência, a falta de mão de obra qualificada, de investimentos em pesquisas, o crescente números de pessoas doentes, a destruição do meio ambiente são algumas das muitas facetas das desigualdades. 

O evento da pandemia traz para todos nós uma pergunta cuja resposta pode fazer toda a diferença para o presente e o futuro da humanidade: vamos continuar agindo da mesma forma?

Desigualdade em números

Várias informações a que temos tido acesso, pelas redes sociais e meios de comunicação de massa, mostram claramente o quanto uma boa parte da população brasileira está sendo mais penalizada pela pandemia. Por exemplo, 4.8 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso à internet para frequentar as aulas a distância ou fazer as tarefas em plataformas digitais (TIC Kids Online, 2019).

Outro dado é sobre violência. Os “baixos” números de denúncias registrados pelo Disque 100, em março e abril de 2020, no auge da pandemia (461 denúncias), denotam que crianças e adolescentes estão isolados com seus agressores e que, como não frequentam outros espaços onde a violência pode ser percebida, como as escolas, não têm com quem contar. 

Antes da pandemia, ao longo de 2019, foram registradas 159 mil denúncias, sendo 86,8 mil violações de direitos de crianças ou adolescentes, um aumento de quase 14% em relação a 2018.  Estudos acadêmicos indicam que nem 10% dos casos são denunciados às autoridades, o que revela um problema ainda mais complexo.

Outra informação dos impactos da Covid-19 está relacionada à crise econômica que ela gerou e que pode levar 14,4 milhões de brasileiros à pobreza (UNU-WIDER).

Impacto coletivo como resposta

Para nós da United Way Brasil, a fala de Graça Machel reforça o nosso compromisso em articular e atuar em rede para enfrentar as desigualdades de frente.

O cenário da pós-pandemia aprofundará as distâncias e, por isso, é preciso agir rapidamente para mitigá-las, antes que assumam proporções ainda mais intoleráveis. É preciso continuar trabalhando pelo desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e cuidar das famílias, a fim de que se apropriem de ferramentas que as ajudem a criar seus filhos para que as novas gerações quebrem ciclos de pobreza. 

Para Graça, as mulheres e as crianças precisam estar no centro das políticas públicas do pós- pandemia. Segundo ela, dessa forma, a sociedade conseguirá resolver problemas estruturais com os quais temos convivido há séculos. Cabe aos jovens gerar mudanças de valores e defender éticas que fortaleçam a sociedade para que se torne sustentável em todos os sentidos. Por isso, é essencial que a juventude receba subsídios para isso, construindo projetos de vida claros, realizáveis e promissores.

Você e sua empresa podem estar ao nosso lado para cumprir esses objetivos. Há várias maneiras de participação, por meio de projetos, ações e programas que

envolvem do principal executivo até os colaboradores da empresa. Essas iniciativas têm metodologias consolidadas, testadas e avaliadas e podem abarcar desde um investimento financeiro coletivo das corporações a estruturas de reportes customizadas, conforme suas necessidades e intenções.

 

Por isso, convidamos aqueles que enxergam nas desigualdades sociais um problema de todos que se unam a nós a fim de enfrentá-las. Precisamos de mãos e mentes que atuem conosco para acabar com a indiferença. A dor do outro é a nossa dor.

Aproveite para ouvir a fala de Graça Machel, que nos inspira todos os dias a continuar o nosso trabalho: clique aqui