

Leopoldo Coronado conta como a United Way entrou em sua vida e no Brasil
O mexicano Leopoldo Coronado teve participação decisiva na fundação da United Way no Brasil. Sua ligação com a entidade data de mais de 25 anos, desde quando trabalhava na Procter&Gamble de seu país natal. Lá, a United Way chama-se Fondo Unido e conduzia uma campanha para angariar recursos que impressionou o executivo na ocasião. A partir daí, ele passou a apoiar campanhas dentro da empresa, para aumentar as contribuições de funcionários.
Em 1997, quando trabalhou na Colômbia, Polo – como Leopoldo é conhecido no meio empresarial – participou do time que criou a Dividendo Voluntario por Colombia, a filial local da United Way. “Foi muito recompensador começar do zero e ver as primeiras campanhas, os primeiros investimentos”, relembra.
Cinco anos depois, mudou-se com a família para o Brasil e ajudou a fundar a UW brasileira. “Encontrei vários executivos de importantes empresas que queriam ter um modo melhor de canalizar seu investimento social, mas proporcionando também a outros funcionários a oportunidade de ajudar com seu tempo ou seu dinheiro. Em contato com líderes locais, iniciamos a UWB.”
Três anos mais tarde, em 2005, trabalhando na Venezuela, tornou-se membro do grupo regional de investidores que vem promovendo o desenvolvimento da UW na América Latina. Atualmente, mora em Miami e trabalha na Avon, onde é vice-presidente da Cadeia de Suprimentos para a América Latina. Segue ligado ao Fondo Unido do México, como membro do Conselho. Na entrevista a seguir, ele fala de sua relação com a United Way Brasil e sugere os caminhos que a organização deve seguir.
Como foi fazer parte da fundação da UWB?
Leopoldo Coronado: – Foi uma experiência maravilhosa. Em 2002, mudei-me para o Brasil e encontrei executivos dispostos a investir em ações sociais. Pensando nisso, nós contatamos a United Way International, tivemos vários encontros com presidentes de grandes empresas e visitamos diferentes projetos para entender a realidade e as necessidades das comunidades. Decidimos que queríamos focar em oportunidades para crianças e jovens melhorem suas vidas e lançamos o que hoje é a United Way Brasil. Essa é uma das passagens inesquecíveis de minha vida.
O que a United Way Brasil pode aprender com a experiência histórica da United Way Americana?
– Cada país tem diferentes necessidades, e é importante que a UWB consiga entender os problemas e os desafios das comunidades onde quer fazer a diferença. Algo que a United Way Americana faz e que o Brasil pode replicar é rever anualmente a missão, os objetivos e as estratégias e ajustá-los de acordo com o que for necessário. Isso, certamente, fará com que a UWB maximize sua contribuição para a sociedade.
Que pontos ainda precisam ser melhorados aqui?
– Há dois aspectos nos quais a UWB deveria manter seu foco. O primeiro deles é seguir em busca de caminhos para maximizar as doações automáticas em folha de pagamento (com o match correspondente da empresa). Deste modo, os fundos comuns para financiar projetos com um alto retorno social serão mais previsíveis e farão com que beneficiemos mais pessoas. Em segundo lugar, é fundamental incentivarmos a participação de funcionários em geral e de executivos em particular na identificação dos melhores projetos, ou seja, aqueles projetos que vão maximizar o retorno social desses investimentos. Esta é uma das tarefas mais difíceis.
Do ponto de vista econômico, 2009 tem sido um ano difícil. O que a UWB pode fazer para incentivar empregados e companhias a continuar investindo na organização?
– É nos tempos difíceis que o nosso trabalho de responsabilidade social se torna ainda mais importante. Nós progredimos muito ao longo desses anos e agora devemos colocar nossos recursos e nosso tempo para trabalhar na direção de uma sociedade melhor, na qual todos tenham acesso à educação e a oportunidades. Tenho certeza de que essa crise global vai nos ensinar como podemos ir adiante, trabalhando e caminhando juntos.